A
defesa entusiasta pela educação e saúde, bem como por outras áreas sociais em
períodos de eleições se torna mais intensa e freqüente, embora muitos desses
defensores sequer entendam o que é um PCCR, e muito menos estejam propensos a
debater uma proposta de atualização ou criação de um plano para uma categoria
de servidores. Na maioria das vezes são feitas menções ao salário nominal de
uma categoria, antes e depois de determinadas gestões, sem nenhuma
contextualização.
Por
isto queremos refletir neste artigo, a correlação entre salário e arrecadação
de recursos, com a finalidade de entendermos do ponto de vista do Sindsep, a
defesa da valorização salarial e proporcionar instrumento de avaliação das
muitas “falas” que serão ouvidas em decorrência do pleito de outubro.
Segmento
analisado: professor graduado de Itapipoca
Período:
1998 a 2012.
Fonte
de recursos: Fundef/Fundeb
Inicialmente
apresentamos a arrecadação do Fundef/Fundeb, destacando o repasse anual, a média
mensal, o aumento percentual ano a ano e o aumento acumulado. Veja a tabela.
Agora observe a situação salarial do professor
graduado, com carga horária de 100 horas-mês, no mesmo período. Citamos o
professor graduado, mas raciocínio semelhante se aplica aos demais níveis.
As
tabelas acima nos mostram que enquanto o repasse de recursos aumentou 978,59%, o aumento
do salário foi de apenas 135,37%. Dito de outra maneira, o repasse dos recursos
cresceu 11 vezes, por sua vez, o salário sequer triplicou.
Veja o gráfico
do aumento acumulado do repasse dos recursos e do reajuste salarial.
A
segunda questão a ser pontuada é verificarmos se tivemos perdas e, em caso
afirmativo, identificar qual deveria ser o salário atual.
Para
tanto, vamos comparar o salário do professor graduado com a média da arrecadação
mensal. Essa comparação será feita dividindo o salário pela arrecadação média e multiplicando o resultado por 10.000. O resumo é a tabela seguinte.
Ela nos mostra o quanto a prefeitura destinava de
cada R$ 10.000,00 arrecadados para pagar um professor graduado. Como se percebe, em
1998 a prefeitura destinava R$ 7,05; em 2005, R$ 3,42; em 2008, R$ 2,02 e, em 2011,
R$ 1,54. Em 2012 essa comparação é de R$ 1,78, o que evidencia uma aumento em relação a 2011, mas permanecem grandes perda em relação aos anos anteriores.
Parte dessas perdas decorreram dos anos de 99, 2000,
2001, e 2002, sem reajuste. Mas também dos últimos oitos anos, no âmbito do
atual grupo no poder executivo municipal. Senão vejamos a relação entre
reajuste e aumento da arrecadação.
Histórico do aumento da receita do Fundef/Fundeb e do reajuste salarial do professor graduado, em percentual, de 1999 a 2011.
Histórico do aumento da receita do Fundef/Fundeb e do reajuste salarial do professor graduado, em percentual, de 1999 a 2011.
Se
fosse mantida a relação de 1998, isto é, se o professor tivesse um
salário equivalente ao de 1998, em percentual do repasse dos recursos, qual seria o valor desse salário?
Se a prefeitura continuasse destinado de cada 10 mil reais recebidos do Fundeb: R$ 4,70 para pagar 1 professor com formação média; R$ 7,05 para o graduado e, R$ 7,99 para o especialista, como em 1998; e considerando a arrecadação média mensal de 2011, salário base do professor seria: (a título de informação:a a arrecadação média mensal de 2012 é R$ 4.772.478,17).
Professor com formação em nível médio R$ 2.157,17;
Professor graduado R$ 3.235,76;
Professor especialista R$ 3.667,19.
Você acha que esses valores são elevados? Impossíveis? A prefeitura conseguiria pagá-los?
Em 1998, no início do Fundef, com uma arrecadação média mensal de R$ 425.465,98 a prefeitura conseguia. Hoje a receita do Fundeb é quase 11 vezes maior, então por que não paga este salário? Enquanto isto isto o salário sequer foi triplicado.
O
Sindsep sempre defendeu a reposição salarial dessas perdas, não apenas propondo
índices, mas demonstrando a existência de recursos para promover o referido
reajuste. Não houve a menor tolerância do prefeito em dialogar sobre as
propostas. Antes, houve a indiferença aos servidores e perguntas como “você
quer me ensinar a administrar?”. Mas a luta não parou e nem vai parar.
Continuamos
buscando a recuperação salarial, o que passa por questões importantes como o
Plano de Cargos e Carreira, o qual trataremos em futuros artigos.
Com esse enfoque, esperamos oferecer subsídios para você analisar a nossa situação salarial, tomar parte nesse debate e ponderar sobre políticas salariais que serão apresentadas por candidatos nas eleições de outubro.
A diretoria do Sindsep se coloca à disposição para maiores esclarecimentos.
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